De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a cada três anos são constatados 13.780 novos casos de câncer de tireoide, sendo pelo menos 11.950 deles diagnosticados em mulheres maiores de 35 anos. Mas apesar dos altos índices, não é possível cravar o que causa a doença. Existem, no entanto, alguns fatores de risco, que vão desde o histórico familiar até uma deficiência de Iodo.
Evitá-los e adotar hábitos saudáveis (como a prática de atividade física regular, manutenção do peso adequado e uma dieta balanceada) podem contribuir para manter a doença afastada.
Genética e câncer de tireoide
Sabe-se que alguns tipos de câncer podem ser hereditários. Enquanto a síndrome de Lynch potencializa a ocorrência de outros tipos de neoplasias, como o câncer colorretal, e a neurofibromatose tipo 1 pode contribuir para o surgimento de tumores no sistema nervoso, pessoas com mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 têm altas chances de enfrentar câncer de mama ou de ovários.
O mesmo ocorre com a tireoide. Se algum familiar foi diagnosticado com câncer nessa glândula, existe um risco aumentado de desenvolvimento da doença, sobretudo se o carcinoma for do tipo medular hereditário, que encontra raízes nas mutações do gene RET. Além disso, existem outras condições hereditárias que podem causar câncer de tireoide. São elas:
Mutações importantes relacionadas ao CARCINOMA PAPILÍFERO:
Mutações importantes relacionadas ao CARCINOMA FOLICULAR:
PAX8/PPAR-gama é a mutação mais frequente. No entanto, os carcinomas foliculares também podem estar associados às mutações RAS e PTEN.
Síndromes genéticas associadas ao câncer de tireoide
Complexo de Carney:Doença genética autossômica dominante, de herança familiar, na maioria dos casos, e esporádica, presente em até 10% dos casos. O principal gene acometido é o PRKAR1A, gerando hiperfunção endócrina, surgimento de neoplasias e aumento da síntese de melanina.
Essa síndrome geralmente acomete pacientes mais jovens (50% menor de 15 anos), com predomínio em mulheres após puberdade. Os pacientes podem apresentar sintomas típicos de excesso de cortisol, baixa estatura, osteoporose grave, puberdade precoce, tumores cardíacos, de pele ou de mama, gigantismo ou acromegalia por excesso do hormônio do crescimento, tumor testicular, neoplasias de tireoide e cerebrais.
Com relação às neoplasias de tireoide elas podem ser benignas, na maioria dos casos, mas também existem os casos relacionados ao câncer de tireoide.
Síndrome de Gardner:
Estima-se que uma em cada 10 pessoas com síndrome de Gardner tenha câncer de tireoide. A doença de caráter raro consiste na presença de pólipos múltiplos no cólon, bem como em outras partes do corpo. Os tumores fora do cólon podem surgir ao longo do sistema digestivo, no crânio, na pele, na tireóide e até nos ossos. Portadores de síndrome de Gardner ainda podem vir a ter fibromas e anomalias dentais.
Os tumores de tireoide (fazer backlink com o texto "Câncer na tireoide tem cura?") associados à síndrome de Gardner são raros e em 70 a 90% dos casos associados ao carcinoma papilífero de tireoide subtipo morular cribriforme. A maioria dos pacientes com síndrome de gardner associada ao câncer de tireoide tem mutação no gene APC.
A evolução natural da doença nesses pacientes geralmente se assemelha aos subtipos mais comuns do carcinoma papilífero de tireoide e, portanto, apresentam um baixo de risco de progressão da doença, ou seja, as metástases ocorrem em apenas 10% dos casos. Dessa forma, quem tem síndrome de Gardner precisa ser acompanhado também por um endocrinologista, a fim de monitorar por meio de exames de imagem a progressão da doença.
Doença de Cowden
Assim como a síndrome de Gardner, a doença de Cowden é uma condição genética incomum, que propicia o surgimento de nódulos (normalmente benignos) em diversas partes do corpo. Dentre eles estão, além da tireoide, o cérebro, o tecido mamário, a pele, as membranas do nariz e o trato gastrointestinal.
No caso da tireoide, a maioria dos casos está associada a neoplasias benignas de tireoide, chamado de adenoma folicular de tireoide, mas também existem casos associados aos carcinomas Folicular e Papilífero de tireoide.
Dos pacientes com acometimento tireoidiano relacionados à síndrome de Cowden 40% apresentam bócio, 25% adenoma, 7% carcinoma folicular, 6,3% carcinoma papilifero e 1% carcinoma medular de tireoide. Assim, o acompanhamento com um médico endocrinologista também se faz necessário nesse caso.
Como prevenir o câncer de tireoide?
Apesar de não haver uma fórmula exata para descobrir a causa do câncer de tireoide, sabe-se que, além do histórico familiar, alguns fatores podem aumentar as chances da doença se desenvolver e devem ser evitados. São eles:
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