Desvendando a Ultrassonografia de Tireoide
O laudo da Ultrassonografia da Tireoide pode gerar insegurança para muitos que o leem pela primeira vez: termos desconhecidos, nomes complicados… Entretanto, a explicação dos itens pode ser simples e entender a classificação dos tipos de nódulos tranquiliza, e muito, o paciente.
O primeiro passo para entendermos melhor as características dos nódulos descritas na ultrassonografia é compreender que o primeiro critério a ser analisado em qualquer nódulo é a sua composição. Ou seja, o material pelo qual esse nódulo é formado.
Um nódulo sólido contém células foliculares, ou seja, tecido. Já quando falamos de composição líquida, fazemos referência a materiais como, por exemplo, um acúmulo de sangue ou de colóide, que ficam retidos em maior quantidade nesse nódulo. Por fim, a composição mista surge quando temos nódulos com ambos os conteúdos em seu interior: sólido e líquido.
Nódulos com conteúdo líquido
Os nódulos com conteúdo líquido podem ser descritos apenas como sendo mistos, mas na verdade eles se apresentam em sua maioria com quatro apresentações distintas. Veja:
a) Cistos simples
O cisto benigno se trata de um nódulo de parede fina, composto por conteúdo líquido e que não traz impactos à saúde do paciente. Esses cistos podem até mesmo sumir com o passar do tempo. Mas, quando crescem muito e trazem desconfortos locais ao paciente, podem ser tratados de forma minimamente invasiva, por meio de técnicas como a ablação percutânea por etanol.
É possível que esses nódulos apresentem em seu interior um colóide espesso, descrito na ultrassonografia como uma cauda de cometa e, dentre os focos ecogênicos, é o que confere menor risco de malignidade.
b) Nódulos espongiformes
Os nódulos também podem se apresentar como espongiformes, ou seja, com áreas líquidas entremeadas por áreas sólidas na mesma proporção, conferindo um aspecto de esponja molhada.
Nesse caso, se não apresentarem outras características suspeitas em seu interior como a presença de focos ecogênicos puntiformes, que são pontinhos brilhantes, conferem um baixíssimo risco de malignidade.
c) Nódulos mistos
Os nódulos mistos, por sua vez, apresentam-se como sendo nódulos com áreas sólidas entremeadas por espaços líquidos. Nesses casos, é importante nos atentarmos para a porção sólida, que pode apresentar um risco de malignidade um pouco maior do que dos dois anteriores.
d) Cistos com nódulo parietal
Já os cistos com nódulo parietal, que muitas vezes são descritos como mistos, costumam, na verdade, se tratarem de nódulos sólidos que tiveram seu crescimento para dentro do cisto.
Em situações como esta, a parte sólida deve ser bem avaliada e, se apresentar características como crescimento para a porção externa do cisto, presença de focos ecogênicos sugestivos de microcalcificações ou contorno irregular, pode vir a ter também um risco de malignidade muito maior dos demais nódulos com conteúdo líquido.
Quando um nódulo na tireoide é considerado grande?
A punção é recomendada apenas para nódulos com mais de 1 cm pela maioria dos guidelines internacionais e, somente, caso estes apresentem critérios ultrassonográficos muito sugestivos de malignidade. No entanto, podemos evidenciar em um exame ultrassonográfico bem feito nódulos muito menores, de até 2mm a 3mm em alguns casos.
Não há consenso quanto ao que fazer nos casos de nódulos tão pequenos, mas alguns serviços especializados em tireoide recomendam que estes nódulos, mesmo os de tamanho tão pequeno, sejam puncionados quando apresentarem características suspeitas de malignidade.
Essa conduta busca apenas compreender se esse nódulo é de fato maligno e, assim, decidir a melhor conduta para esse paciente, inclusive quanto à possibilidade de seguimento com Vigilância Ativa.
O ideal é acompanhar (em média a cada seis meses a um ano) se estes nódulos benignos estão crescendo, mudando de características ou comprometendo a qualidade de vida do paciente.
No entanto, sabe-se que os nódulos cancerígenos costumam ser detectados nos adultos apenas em 5 a 10% dos casos, sendo o risco de malignidade de duas a três vezes maior em homens do que em mulheres.
Desse modo, a orientação de seguimento periódico dos nódulos visa tranquilizar o paciente, portanto, é muito importante realizar esse segmento com um especialista.
Existe alguma maneira de reduzir o tamanho de um nódulo de forma natural?
Os nódulos de tireoide podem reduzir de tamanho de forma espontânea, no entanto, a involução é rara. A diminuição pode ocorrer em dois casos:
Nódulos císticos: o conteúdo líquido pode sofrer uma variação de quantidade, tanto para mais, quanto para menos;
Nódulos que passaram por mumificação: quando, espontaneamente ou graças a uma intervenção, o nódulo tem seu tamanho reduzido. Entre os procedimentos possíveis estão a punção aspirativa por agulha fina, a alcoolização e os tratamentos com iodo radioativo ou com radiofrequência.
O mais comum é que os nódulos aumentem ao longo do tempo. Sabemos de alguns fatores que são responsáveis por estimular o crescimento dessas lesões, como é o caso do hipotiroidismo descompensado e dos nódulos autônomos, que são produtores de hormônio tireoidiano causadores de hipertireoidismo.
Desse modo, uma das maneiras efetivas de evitar o crescimento desses nódulos é tratar as doenças da tireoide e manter os níveis dos hormônios tireoidianos em valores adequados.
Todo paciente com nódulo de tireoide deve ter sua função tireoidiana avaliada frequentemente. Ou seja, realizar exames de sangue que verifiquem os níveis dos hormônios tireoidianos a fim de determinar se será necessário iniciar algum tratamento ou não. Nesses casos é muito importante o seguimento com um especialista.
Sintomas do nódulo de tireoide
Nódulos grandes ou localizados em regiões próximas a determinadas estruturas do pescoço podem causar os seguintes sintomas:
Inchaço no pescoço;
Rouquidão ou falha na voz;
Dificuldade de deglutição;
Dores no pescoço;