Nem todo câncer de tireoide é igual e eles podem variar em relação à agressividade, velocidade de desenvolvimento, entre outras características. O carcinoma medular de tireoide (CMT), por exemplo,apresenta-se, na maioria dos casos, como mais agressivo do que os outros. Em boa parte das vezes, ele também é hereditário, algo que traz uma possibilidade de rastreio precoce em alguns casos.
Entenda abaixo o que é o carcinoma medular de tireoide, como ele se desenvolve, seus sintomas e os tratamentos disponíveis para ele.
Segundo dados da American Thyroid Association, o carcinoma medular de tireoide compreende apenas entre 1 e 2% dos casos de câncer nessa glândula. A diferença entre esses tipos acontece pelas células que dão origem à doença.
Enquanto outros tipos de câncer de tireoide derivam das células foliculares (que fabricam os hormônios tireoidianos), o carcinoma medular vem das células parafoliculares, também chamadas de células C. Essas células são responsáveis pela produção de um peptídeo chamado calcitonina. O excesso dessa substância no sangue pode ser um sinal da doença.
Apesar de ter desenvolvimento relativamente lento, o carcinoma medular de tireoide pode se espalhar para outros órgãos. Isso acontece especialmente com os linfonodos, gânglios que integram o sistema imunológico. Em 25% dos casos, esse câncer é hereditário (ou familiar), o que significa que a mutação genética causadora da doença foi herdada.
Isso também significa que essa mutação pode ser passada adiante para descendentes. Nesse contexto, quando há um caso de carcinoma medular de tireoide na família que é associado à mutação do proto-oncogene RET, é possível detalhar o rastreio. Esse rastreio aumenta as chances de se fazer um diagnóstico precoce da doença, melhorando o prognóstico.
É comum que o diagnóstico de CMT ocorra por acaso. Como ele nem sempre dá sinais, exames como ultrassonografia de tireoide, ultrassonografia da carótida ou tomografia do pescoço por outras causas podem ser os responsáveis por identificar o tumor.
A taxa de sobrevivência de pacientes com esse câncer se aproxima de 90%. Quando há comprometimento dos linfonodos, essa taxa cai para 70%.
O principal sintoma deste tipo de câncer de tireoide é igual ao dos outros: a presença de um nódulo na tireoide. Nem sempre isso causa sintomas fisicamente visíveis, mas, quando causa, pode haver:
Há ainda um possível sintoma bem particular do carcinoma medular de tireoide. Isso porque a calcitonina, substância produzida pelas células que dão origem a esse câncer, atua na absorção do cálcio circulando no sangue. O excesso dela pode aumentar o trabalho dos rins, aumentando o volume de urina, intensificando as idas ao banheiro. Sendo assim, o excesso de urina pode ser um sinal de que algo está errado. Outros sintomas que são sinais de alerta para pesquisarmos a possibilidade de pacientes com NEM2 são diarreia crônica e crises de flushing.
25% dos casos de carcinoma medular de tireoide têm como causa uma mutação genética hereditária. Isso significa que a mutação do chamado proto-oncogene RET circula na família. Sendo assim, quem tem casos desse tipo de câncer de tireoide na família também tem maiores chances de desenvolvê-lo.
É possível identificar essa mutação a partir de um exame de sangue. Sendo assim, é aconselhável que familiares de pessoas diagnosticadas com ele busquem um endocrinologista (também conhecido como “médico da tireoide”) para fazer acompanhamento.
Além disso, a forma hereditária dessa doença da tireoide pode estar associada a outros problemas de saúde, como a Neoplasia Endócrina Múltipla (NEM) 2A e 2B. Pacientes com o primeiro tipo, inclusive, podem ter tumores adrenais ou da paratireoide.
Para tratar o câncer medular de tireoide, em geral se faz uma cirurgia para a remoção dessa glândula (tiroidectomia total). Quando há presença do câncer nos linfonodos, eles também são removidos durante a cirurgia principal. Ao contrário de outros cânceres de tireoide, esse tipo da doença não requer iodoterapia como complemento ao tratamento.
Pacientes que têm CMT e apresentam níveis muito altos de calcitonina no sangue devem fazer exames para avaliar a possível presença de focos da doença em outros órgãos para além do pescoço. Quando há metástase, pode ser necessário fazer outras cirurgias e utilizar tratamentos como radioterapia e quimioterapia. Essa abordagem é definida caso a caso.
Pessoas que tiveram câncer de tireoide precisam manter acompanhamento médico regular após o tratamento. Isso porque, sem a glândula, é preciso fazer a reposição dos hormônios produzidos por ela. Além disso, é necessário realizar exames de imagem e sangue para atuar prontamente em casos de recidiva.
Assim como os outros tipos de câncer de tireoide, não falamos em cura, mas sim em controle ou remissão da doença. As maiores taxas de sucesso estão associadas aos casos nos quais a doença da tireoide é descoberta em estágio inicial.
Quando há presença do câncer nos linfonodos ou demais órgãos há a necessidade de avaliar a possibilidade de tratamentos adicionais como cirurgias para ressecção das metástases, radioterapia para controle de crescimento das lesões e ainda as drogas inibidoras da tirosina quinase como o Vandetanibe e o Cabozantenibe, que atuam com o objetivo de aumentar a sobrevida desses pacientes. Desse modo, mesmo para os casos mais avançados temos estratégias para melhorar o controle da doença, dos sintomas e a sobrevida desses pacientes.
Se você procura um bom endocrinologista em São Paulo para te acompanhar no tratamento dessa ou outras doenças de tireoide, não hesite em entrar em contato e agendar sua consulta. Ficarei feliz em tirar suas dúvidas!
As especialidades médicas que podem tratar e/ou acompanhar casos de câncer de tireoide são endocrinologistas, oncologistas ou cirurgiões de cabeça e pescoço. O médico endocrinologista é responsável por toda a parte hormonal do organismo, que inclui a glândula. Já os cirurgiões de cabeça e pescoço realizam o tratamento cirúrgico.
O câncer de tireoide é, em sua maioria, indolente. Isso significa que ele tem desenvolvimento lento e, por isso, geralmente é diagnosticado em estágios não muito avançados, ainda sem metástases. Sendo assim, as chances de bom controle e remissão do câncer de tireoide são muito altas, especialmente quando a doença é descoberta cedo.
O tratamento para esse tipo de câncer envolve a tiroidectomia total (remoção da tireoide). Quando há presença da doença nos linfonodos, eles também são removidos. Se houver metástases em outras partes do corpo, pode ser necessário realizar terapias complementares como radioterapia e drogas inibidoras da tirosina quinase.