O carcinoma papilífero subtipo columnar cell (ou “de células colunares”) é um dos subtipos mais raros do carcinoma papilífero de tireoide — corresponde a menos de 0,4% dos casos. Descrito por Evans em 1986, ganhou reconhecimento como subtipo agressivo pela Organização Mundial da Saúde (WHO 2022) e pela American Thyroid Association (ATA 2015). Tem uma dualidade clínica importante: formas invasivas em homens idosos são especialmente agressivas, enquanto formas encapsuladas em mulheres jovens tendem a se comportar de maneira indolente. Diferenciar as duas formas muda o tratamento. Este guia detalha tudo o que se sabe sobre esse subtipo, com base na literatura atual.
Em Resumo
Frequência
<0,4% dos carcinomas papilíferos — um dos subtipos mais raros descritos.
Definição WHO 2022
Células colunares com núcleos hipercromáticos, ovais e pseudoestratificados — aspecto semelhante a adenoma colônico ou endométrio secretor.
Perfil molecular
BRAF V600E em 30–44% · TERT promoter e TP53 em casos agressivos.
Dualidade clínica
Encapsulado em mulheres jovens: indolente · Invasivo em homens idosos: muito agressivo.
Diagnóstico diferencial crítico
Metástase de adenocarcinoma colônico ou endometrial — imuno-histoquímica é essencial (TTF-1, tireoglobulina, CDX2).
Prognóstico
Depende diretamente da forma clínica — desde bom até reservado.
O termo “columnar cell” descreve o padrão morfológico das células neoplásicas: elas são alongadas, cilíndricas, com núcleos ovais dispostos em pseudoestratificação — organizados em diferentes níveis dentro da célula, dando ao epitélio uma aparência estratificada, embora não seja verdadeiramente multicamada. Esse padrão lembra o revestimento de estruturas glandulares intestinais ou endometriais, o que gera um dos maiores desafios diagnósticos desse subtipo.
Foi descrito formalmente por Evans em 1986 e reconhecido como subtipo distinto do PTC tall cell — apesar de ambos apresentarem células “altas”, o padrão nuclear, a pseudoestratificação e o comportamento molecular são diferentes. A WHO 5ª edição (2022) manteve os dois como subtipos independentes.
Curiosidade histórica: ao microscópio, o subtipo columnar cell pode ser confundido com metástase de câncer colorretal ou endometrial na tireoide — os padrões morfológicos são notavelmente semelhantes. Por isso, a imuno-histoquímica (com marcadores como TTF-1, tireoglobulina e CDX2) é frequentemente necessária para o diagnóstico definitivo. Esse é um cuidado que só patologistas experientes em tireoide tomam de rotina.
Os achados histológicos são bastante específicos e reconhecíveis por patologistas familiarizados com o subtipo:
A imuno-histoquímica é frequentemente necessária:
Em Desenvolvimento
Estamos preparando uma galeria dedicada com imagens reais de ultrassonografia e lâminas citológicas do subtipo columnar cell, permitindo que pacientes e profissionais reconheçam visualmente o padrão descrito aqui — especialmente os vacúolos subnucleares e a pseudoestratificação característica. A página será publicada em breve.
O subtipo columnar cell tem uma característica bastante particular: duas formas clínicas com comportamento oposto. Reconhecer isso é essencial para o tratamento adequado.
Perfil típico: mulheres jovens, tumor menor, completamente encapsulado, sem invasão capsular ou vascular. Comportamento comparável ao PTC clássico de baixo risco.
Prognóstico: excelente. Tratamento pode ser conservador — em casos selecionados, lobectomia isolada pode ser suficiente.
Perfil típico: homens idosos, tumor grande com extensão extra-tireoidiana, invasão vascular e metástases linfonodais ou à distância.
Prognóstico: reservado. Requer tratamento agressivo desde o início — tireoidectomia total, esvaziamento cervical amplo, iodo radioativo e supressão de TSH rigorosa.
Essa dualidade é uma característica muito específica do columnar cell — outros subtipos agressivos como tall cell e hobnail não apresentam esse comportamento bimodal com a mesma clareza. É por isso que o laudo anatomopatológico precisa especificar sempre se o tumor é encapsulado ou invasivo, e detalhar margens, invasão capsular, invasão vascular e envolvimento linfonodal.
Ao ultrassom de tireoide, o subtipo columnar cell não tem padrão patognomônico — os achados variam conforme a forma clínica:
Na forma encapsulada:
Na forma invasiva:
Nenhum desses achados isoladamente é diagnóstico — o ultrassom sugere a suspeita de malignidade, mas a definição do subtipo depende da PAAF e, finalmente, da análise anatomopatológica.
A punção aspirativa por agulha fina (PAAF), classificada pelo Sistema Bethesda (TBSRTC 3ª edição, 2023), é frequentemente desafiadora no subtipo columnar cell — o padrão citológico pode ser confundido com outros subtipos, com PTC clássico ou até com metástases de outros sítios.
Achados citológicos característicos do subtipo columnar cell (TBSRTC 3ª Ed):
• Células colunares alongadas com pseudoestratificação nuclear — organizadas em fileiras verticais
• Núcleos ovais hipercromáticos, com cromatina densa
• Vacúolos subnucleares “endometrioides” — sinal citológico especialmente sugestivo, quando presente
• Arranjos em placas, papilas, fileiras ou padrão cribriforme
• Características nucleares clássicas do PTC menos evidentes — pseudoinclusões e sulcos nucleares podem estar ausentes ou ser raros
• Ausência ou raridade de coloide em algumas apresentações
Quando o citopatologista identifica esses achados, o laudo deve especificar Bethesda VI com nota descritiva sugerindo columnar cell, e ao mesmo tempo afastar metástases de origem colônica ou endometrial — o que muitas vezes exige comparação com história clínica e imuno-histoquímica em bloco celular. Essa comunicação entre citopatologista e endocrinologista é essencial para orientar o planejamento cirúrgico.
O perfil molecular do subtipo columnar cell é mais variável que o do tall cell — reflete a diversidade de comportamento clínico entre as formas encapsulada e invasiva:
| Alteração | Frequência | Significado clínico |
|---|---|---|
| BRAF V600E | 30–44% | Menos frequente que no tall cell (~90%) — sugere heterogeneidade biológica. |
| TERT promoter | Frequente em casos agressivos | Marcador de agressividade — associado a extensão extra-tireoidiana e refratariedade. |
| TP53 | Variável | Sinal de instabilidade genômica — surge em casos avançados. |
| NRAS/HRAS/KRAS | Ocasionalmente | Pode estar presente em subgrupos — em alguns tumores encapsulados. |
A menor prevalência de BRAF V600E comparada ao tall cell é uma característica marcante — sugere que o subtipo columnar cell tem uma via oncogênica mais heterogênea, com participação variável de outras alterações. Em doença avançada e refratária, a pesquisa de mutações é essencial para orientar possíveis terapias-alvo.
O comportamento clínico do columnar cell é bimodal — depende diretamente da forma:
Forma encapsulada (indolente):
Forma invasiva (agressiva):
Contexto importante: reconhecer a forma clínica é tão importante quanto reconhecer o subtipo em si. Um columnar cell encapsulado em mulher jovem tem prognóstico excelente com tratamento adequado. Um columnar cell invasivo em homem idoso exige abordagem agressiva desde o início e seguimento próximo.
O caminho diagnóstico até a confirmação do subtipo columnar cell é especialmente desafiador:
1. Ultrassom de tireoide: identifica o nódulo, avalia padrão ecográfico e presença de linfonodos suspeitos.
2. PAAF com Bethesda VI e nota descritiva: classifica o material como maligno e, quando possível, sugere o subtipo columnar cell nas notas descritivas — sempre com alerta para diagnósticos diferenciais (metástases).
3. Bloco celular com imuno-histoquímica: quando a suspeita é forte, o material pode ser preparado como bloco celular para pesquisa de TTF-1, tireoglobulina e CDX2 — afastando metástases de outros sítios.
4. Planejamento cirúrgico individualizado: depende da suspeita da forma clínica — encapsulada permite considerar cirurgia mais conservadora; invasiva exige abordagem agressiva desde o início.
5. Análise anatomopatológica pós-cirúrgica: confirma o diagnóstico, especifica se é encapsulado ou invasivo, avalia margens, invasão capsular e vascular, e caracteriza envolvimento linfonodal.
6. Testes moleculares: pesquisa de BRAF V600E, TERT promoter e TP53 — especialmente em casos agressivos ou refratários, orientando terapias-alvo.
O tratamento do subtipo columnar cell deve ser individualizado conforme a forma clínica:
Para a forma encapsulada (indolente):
Para a forma invasiva (agressiva):
Atenção: a decisão terapêutica no columnar cell exige avaliação por endocrinologista especialista em tireoide e cirurgião de cabeça e pescoço experiente. O ponto crítico é diferenciar corretamente a forma encapsulada da invasiva — extremos opostos que exigem tratamentos muito diferentes.
O prognóstico do subtipo columnar cell é diretamente dependente da forma clínica:
Fatores que influenciam o prognóstico individual:
Dúvidas mais comuns de pacientes que receberam diagnóstico de carcinoma papilífero subtipo columnar cell (células colunares).
“Columnar cell” é um termo em inglês que significa “célula colunar” — descreve o formato das células neoplásicas ao microscópio: alongadas, cilíndricas, com núcleos ovais dispostos em pseudoestratificação. Esse padrão lembra o epitélio do intestino grosso ou do endométrio, o que exige cuidado para diferenciar de metástases desses sítios.
Não. O columnar cell tem duas formas com comportamento bem diferente. Formas encapsuladas em mulheres jovens tendem a ser indolentes e têm prognóstico comparável ao PTC clássico de baixo risco. Formas invasivas em homens idosos são agressivas e exigem tratamento intensivo desde o início. Reconhecer a forma clínica é essencial.
A imuno-histoquímica é essencial: TTF-1 e tireoglobulina positivos confirmam origem tireoidiana. CDX2 pode ser positivo em ambos, então não afasta origem tireoidiana isoladamente. História clínica, correlação radiológica e discussão entre patologista e endocrinologista completam o diagnóstico. Patologistas experientes em tireoide reconhecem os padrões característicos do columnar cell.
Em muitos casos, sim. A PAAF pode sugerir o subtipo quando o citopatologista identifica células colunares alongadas com pseudoestratificação nuclear e — quando presentes — vacúolos subnucleares “endometrioides”. Essa suspeita é registrada como Bethesda VI com nota descritiva, e muda o planejamento cirúrgico dependendo da suspeita de forma encapsulada ou invasiva.
Depende do tamanho, ausência de invasão e do risco individual. Em casos selecionados de tumores pequenos, completamente encapsulados, sem invasão capsular ou vascular, em mulheres jovens, pode-se considerar lobectomia sem iodo radioativo. Em outros, tireoidectomia total é indicada, com iodo em situações específicas. A decisão é sempre individualizada.
Tratamento agressivo desde o início: tireoidectomia total, esvaziamento cervical central e habitualmente lateral, iodo radioativo em doses ajustadas ao risco alto e supressão rigorosa de TSH. Em doença avançada ou refratária, terapias-alvo (inibidores de BRAF combinados a inibidores de MEK, inibidores multialvo) podem ser consideradas em contexto multidisciplinar.
Porque o columnar cell tem uma via oncogênica mais heterogênea que o tall cell. Enquanto o tall cell é dominado pelo BRAF V600E (~90%), o columnar cell mostra BRAF V600E em 30-44% dos casos, com participação variável de outras alterações moleculares. Isso reflete a diversidade biológica do subtipo — que também explica a dualidade clínica.
Depende diretamente da forma clínica. Formas encapsuladas em mulheres jovens têm sobrevida excelente, comparável ao PTC clássico de baixo risco. Formas invasivas em homens idosos apresentam mortalidade específica pela doença significativa — depende do estágio ao diagnóstico, extensão do tumor e resposta ao tratamento. O prognóstico é sempre individualizado.
Acompanhamento Especializado
Dra. Vanessa Cherniauskas Morikawa — Endocrinologista
CRM-SP 177190 · RQE 103720
Avaliação, conduta e seguimento do carcinoma papilífero subtipo columnar cell — em suas formas encapsulada e invasiva, incluindo casos de alto risco e doença metastática. Doutora em Ciências da Saúde pela FCMSCSP, com atuação no Núcleo de Tireoide da Beneficência Portuguesa de São Paulo. Realiza pessoalmente ultrassonografia, punção (PAAF) e análise citológica, com integração direta à cirurgia de cabeça e pescoço, patologia especializada e oncologia clínica. Conduta alinhada às diretrizes da ATA (2015) e à classificação WHO 5ª edição (2022). Atendimento particular, em Pinheiros, ou por telemedicina para avaliação prévia.
Atuação Acadêmica e Hospitalar
Beneficência Portuguesa de São Paulo · Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo
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Consultório
Rua Cristiano Viana, 401
Conjuntos 209 / 210
Pinheiros, São Paulo — SP
Modalidades
Presencial em Pinheiros
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